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Oncoginecologia e Mastologia

Câncer de Ovário

Ovary Cancer

O câncer de ovário (classificação internacional da doença – CID 10 C56) continua, nos dias atuais, um desafio. Nos últimos quarenta anos a sobrevida livre de doença e sobrevida global não mudaram de forma significativa, apesar do avanço da cirurgia e introdução de novas quimioterapias e drogas alvo. Uma das principais razões é o diagnóstico da doença nas suas formas mais avançadas.

Apesar de tentativas de rastreamento com ultrassonografia endovaginal e dosagem de marcadores tumorais específicos como o CA 125, ainda continuamos recebendo, para tratamento no ICAVC, pacientes portadoras de neoplasia maligna do ovário nos estádio clínico III e IV. Portanto cerca de 75% já se encontram com doença avançada.

Estimativas do INCA mostram que o número de casos novos no Brasil é de aproximadamente 6150, sendo que na cidade de São Paulo 590 , e cerca de 3883 óbitos ocorreram.

Acometem mulheres principalmente nas faixas etárias de 50 a 65 anos, mas pode aparecer em qualquer idade, inclusive em crianças.

Cerca de 90% dos tumores do ovário são do tipo epitelial, mas muitos tumores não epiteliais podem ter evolução não favorável.

As principais queixas são: dor no baixo ventre, sensação de plenitude gástrica, náusea, alteração do ritmo intestinal, sensação de cansaço, aumento do volume abdominal-devido aumento do tamanho do ovário e ascite, emagrecimento.

Diagnóstico: pode ser feito pela avaliação pelo médico das queixas acima referidas, exame físico e ginecológico completo seguido de exames complementares como ultrassonografia endovaginal e dosagem de marcador tumoral específico CA 125. Importante assinalar que o diagnóstico definitivo só se faz após avaliação histopatológica do tumor.

Prevenção : não existe até o momento medidas preventivas eficazes. Fatores de risco como história de câncer de ovário, devem ser considerados. Cerca de 10% dos tumores podem ser hereditários. Pacientes com história de câncer de mama, intestino, tireoide, pâncreas e sarcoma prévios, tem mais chance de ter câncer de ovário.

Tratamento: O tratamento do câncer de ovário consiste principalmente em cirurgia cito-redutora, quimioterapia e mais atualmente aplicação de drogas alvo e imunoterapia. A sequencia do tratamento depende do estadiamento clínico no momento do diagnóstico.

No ICAVC, optamos sempre pelo tratamento cirúrgico de início tanto para avaliar a extensão da doença como retirada do máximo possível de tumor da cavidade pélvica e abdominal, seguido de tratamento quimioterápico e/ou aplicação de drogas alvo ou imunoterapicos. Também temos protocolos de pesquisa com drogas novas, naqueles casos que foram esgotados todos recursos em prática médica.

Um dado importante observado nas pacientes tratadas no ICAVC nos últimos 10 anos foi as taxas de sobrevida global e sobrevida livre de doença discretamente maiores do que a literatura. Atribuímos esse fato ao prazo curto de iniciação da quimioterapia pós cirurgia. Em breve estaremos publicando com detalhes este estudo.

Equipe

Prof. Dr. Carlos Elias Fristachi
Médico Assistente Dr. Fabio Rodrigues
Médico Assistente Dr. Rodrigo Macedo
Médica Residente Dra. Etienne de Albuquerque Bastos

 

Mastectomia Profilática "Reflexos do efeito Angelina Jolie"

Mastectomy Prophylactic "Reflexes of the effect Angelina Jolie"

Após a divulgação da opção da atriz Angelina Jolie de se submeter a cirurgia para redução de risco de câncer de mama, temos observado na prática clínica que, cada vez mais as pacientes tem dúvidas em relação a indicação médica das MASTECTOMIA PROFILÁTICAS (ou redutora de risco) ou seja, a retirada das mamas que não apresentam câncer.

Deve-se primeiramente entender duas situações distintas: nas pacientes portadoras de câncer de mama que desejam retirar a outra mama sem evidências de doença e aquelas que apresentam alto risco para desenvolvimento da doença, e que veem na cirurgia uma oportunidade de evitar seu aparecimento.

Recentemente a SSO (Society of Surgical Oncology) publicou uma recomendação para a realização de mastectomia profilática, baseada em extensa revisão de literatura, que sugere importante papel de redução de risco para câncer de mama com impacto positivo em sobrevida apenas nas pacientes portadoras de mutação de genes da família BRCA. Para pacientes não portadoras desta alteração genética, demonstra-se apenas a redução do risco de desenvolvimento de câncer contralateral sem repercussão na sobrevida.

Em nosso serviço avaliamos cuidadosamente e individualizamos a conduta cirúrgica mediante a discussão multidisciplinar, identificação de pacientes de alto risco e exaustiva discussão com nossas pacientes, pois a realização do procedimento além de ter caráter definitivo pode apresentar sérias complicações com impacto direto na qualidade de vida.

Ref. Society of Surgical Oncology Breast Disease Working Group
Statement on Prophylactic (Risk-Reducing) Mastectomy
Annals of Surgical Oncology (Ann Surg Oncol)
DOI 10.1245/s10434-16-5688-z

Equipe

Prof.Dr.Carlos Elias Fristachi - Chefe do Serviço
Dr.Fabio Francisco de Oliveira
Dr.Rodrigo Macedo da Silva

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